História da Cirurgia Plástica

Desde os tempos mais remotos o ser humano sentiu a necessidade de corrigir imperfeições em seu corpo, principalmente as causadas por acidentes e punições. Desde o início dos tempos, os seres humanos têm participado ativamente na busca do autoaperfeiçoamento. A cirurgia plástica pode ser uma das mais antigas artes de cura do mundo.

Relatos que datam de quatro mil anos a.C. informam que práticas de cirurgias reparadoras já eram realizadas entre os hindus. As tribos na época praticavam punições pesadas aos seus integrantes. Como na época eram permitidas as dissecções anatômicas, abriu-se um grande campo para os experimentos e a cirurgia plástica se desenvolveu.



Os primeiros relatos documentados sobre cirurgia plástica, que se tem notícia, encontram-se no Papiro de Ebers, no Egito, cerca de 3500 a.C., no qual se relata a realização de transplantes de tecidos. Este papiro data do reinado de Amenofis I, no Egito, tendo sido encontrado num túmulo da necrópole de Tebas e hoje, se encontra na biblioteca da Universidade de Leipzig.



Ainda no antigo Egito, o papiro de Edwin Smith (aprox. 2500 a.C.) destacou-se como um verdadeiro manual de cirurgia, no qual se faz referências há tratamentos de fraturas mandibulares, nasais, cranianas, operações plásticas do nariz, lábio e outros. Encontrado também em Tebas no Egito em 1861. Encontramos ainda prescrições como: "receitas para embelezamento da pele" e a curiosa "receita para transformar um velho em um jovem", entre outros procedimentos cirúrgicos. É um dos mais importantes documentos da medicina antiga do Vale do Nilo.

As origens da cirurgia estética tampouco são recentes. Ainda é possível encontrar civilizações na pré-história com práticas cirúrgicas primitivas com fins de embelezamento.

Em culturas como a babilônica, assíria e egípcia realizavam-se cirurgias, entretanto, havia penalidades para o insucesso. O rei Hamurabi da Babilônia formulou o primeiro código de leis da história das civilizações por volta de 1750 a.C. e nele regulamentava tudo, inclusive a atividade médica com castigos que variavam desde lesões corporais até a morte do cirurgião quando este falhava.

Na Índia, houve um desenvolvimento grande da Cirurgia Plástica, principalmente das rinoplastias. No século VI a.C., o primeiro cirurgião plástico de que se tem notícia, Sushruta, escreveu um famoso livro, Sushruta Samhita, onde relatou importantes descrições sobre a reconstrução de narizes, com transplantes de pele

da fronte, que eram realizadas na Índia no ano 2500 a.C. Era costume punir os prisioneiros de guerra, as mulheres em caso de adultério e delinquentes, com a amputação do nariz. Esse era um procedimento tão frequente que desenvolveram um método engenhoso para reparar tal perda, cuja reconstrução era feita à custa de retalhos da testa. Ainda hoje são empregadas técnicas como o “retalho indiano” para reconstrução nasal.


                                                    Sushruta


                                                 Retalho Indiano

Naquele tempo, quem se dedicava a esta habilidosa atividade eram os oleiros, que possuíam o segredo da manipulação de tecidos vivos. Realizavam, com a pele da frente, um retalho, que giravam e incorporavam ao resto do nariz existente. Quando o extremo distal havia "colado" ao leito receptor, seccionavam o pedídulo e devolviam o excedente a seu lugar de origem. Estes conhecimentos foram transmitidos a Pérsia e Arábia e, mais tarde, à Grécia e Itália.

No V século a.C. com o aparecimento de Buda na Índia, Lao Tse e Confúcio na China, com novos conceitos religiosos e filosóficos humanitaristas preconizando a preservação do corpo sem alterações para a vida pós-morte, a cirurgia então declinou.

No V século a.C., na Grécia eram proibidas as dissecções anatômicas, pois havia o famoso desejo de respeitar os corpos após a morte. A religião não permitia dissecções anatômicas em cadáveres humanos, então se dissecavam animais. A religião passou a assumir todo o poder como que em um retrocesso aos primórdios das civilizações (a Igreja se posicionou fortemente contra as dissecções e operações e somente no século XIII é que os médicos e os cirurgiões começaram a ser igualmente respeitados). Assim, o interesse pela medicina e cirurgia declinou, pois os problemas do homem podiam ser resolvidos só pela religião. Em Roma, as dissecções anatômicas também não eram permitidas pela religião, então passou a absorver também o conhecimento científico da Grécia.
 
Hipócrates (século V a.C.), o "pai da medicina", deixou descrições de inúmeros procedimentos relativos à Cirurgia Plástica como enfaixamentos, cuidados com a estética de curativos. Preocupou-se com os problemas da cirurgia plástica. Receitava pomadas e unguentos com a finalidade puramente estética, como no tratamento das sardas, calvície e excesso de pele. Fez referência às fraturas do nariz e dizia "as partes devem ser modeladas imediatamente, se possível".

Entre 460 e 377 a.C. foi formulado o Juramento de Hipócrates. Sob essa influência, em 150 a.C., foi proibido que médicos e cirurgiões respeitáveis, educados, usassem bisturis e cortassem pacientes. Tais tarefas, consideradas selvagens, ficavam para artesãos menos educados.

Após a morte de Alexandre Magno em 323 a.C., aos 33 anos, vitimado por malária, o império dividiu-se entre seus generais. A Ptolomeu Soter coube o Egito e ele como governante permitia dissecções humanas “in vivo” nos indivíduos condenados à morte. Assim a medicina nesse período progrediu na anatomia e fisiologia, salientando-se nomes como Erasistrato, tido como o pai da fisiologia e Herófilo. Consequentemente a cirurgia da Escola de Alexandria foi desenvolvida.

Na antiga Roma (século I) também foram feitas importantes descrições sobre cirurgias plásticas. Aulus Cornelius Celsus marca época na história da cirurgia plástica com seus trabalhos sobre transplante de tecidos. Pode ser chamado o Pai da Cirurgia Plástica, nasceu em Roma, sendo o espelho da Escola de Medicina de Alexandria. Em seu livro "De Re Medica", escrito 30 d.C., encontra-se uma segunda referência histórica da especialidade, sendo este o documento médico mais antigo dos manuscritos de Hipócrates. Ele aborda métodos reparadores para nariz, lábios e orelhas com retalho de pele retirados das adjacências. Cuidou de problemas relacionados à correção do entrópio e ectrópio palpebral, da ptose palpebral, sindactilia e das fissuras labiais.

Em seguida, durante o período bizantino, Oribasius compilou uma enciclopédia médica intitulado "Medicae Sinagoga". Este trabalho de 70 volumes continha numerosas passagens dedicadas à técnicas reconstrutivas para reparar defeitos faciais.

Nos países europeus, os avanços da Cirurgia Plástica eram lentos.

O progresso geral da Cirurgia Plástica, como na maioria da Medicina, foi lenta nos próximos mil anos, com técnicas utilizadas na Índia, os conhecimentos orientais, foram introduzidos no Ocidente e posteriormente refinado e adaptado para novas aplicações.

Claudius Galeno (130 D.C - 210 D.C) médico grego que emigrou a Roma refletindo a escola de Hipócrates, emprestou especial carinho à reconstituição de lesões nasais, auriculares e bucais. Deixou instruções precisas e claras de como empregar o linho, a seda e o catgut nas ligaduras hemostáticas. Fez experimentos em animais, principalmente macacos. Realizou também cirurgias reconstrutivas, tendo sido o mais famoso médico da Roma antiga. Com a queda do Império Romano o Ocidente perdeu estas práticas cirúrgicas.

No tempo de Hipócrates e seus discípulos não se fazia distinção entre medicina e cirurgia, apesar de Galeno ter dito que "a cirurgia era somente um modo de tratamento".

O pensamento científico restrito aos escritos deixados por Galeno e Hipócrates que foram guardados por monges nos mosteiros, principalmente Beneditinos. Vale lembrar a presença dos árabes na Europa que lá estiveram por 700 anos e que tiveram o mérito de não destruir, ao contrário, guardar, estudar e enriquecer os conhecimentos hipocráticos e galênicos.

Por um período de quase dez séculos o pensamento científico ficou praticamente estagnados por diversos motivos, principalmente religiosos. A igreja, cuja autoridade era incontestada, impediu todo o espírito de pesquisa como, por exemplo, a interdição das dissecções que, aliás, foi mantida até 1480. A cirurgia foi considerada uma prática bárbara, também condenada pela igreja. Iniciou-se neste período a chamada "desorientação anatômica", como resultado do profundo respeito aos cadáveres. Além disso, a segurança dos pacientes cirúrgicos foi adicionalmente comprometida pela falta de normas de higiene e limpeza. Em grande parte, a ciência deu lugar ao misticismo e a religião. Para a maioria, a busca do conhecimento científico tinha sido substituída por um foco em questões mais pessoal e espiritual.

Antylus reproduziu algumas operações da especialidade, baseando-se muito provavelmente nos trabalhos de Celsus.

O cirurgião militar bizantino e continuador da técnica de Galeno, Paulo de Egina (Paulus Aegineta), escreveu um breviário de cirurgia onde compilou o que já havia sido dito pelos gregos. Discutiu, com sua experiência pessoal: traqueotomia, tonsilectomias, flebotomias e redução do tamanho das mamas, abordou o tratamento corretivo de lesões auriculares, nasais e bucais, bem como foi o autor de uma técnica para a remoção de mams hipertróficas no homem.

Durante os séculos IX e XIII o monopólio da arte de curar era compartilhado entre o clero e os judeus.

A primeira escola de Medicina foi a de Salerno (século IX), que fornecia ensino verdadeiro e diploma. Henri de Modeville, também da escola de Salerno, faz renascer a técnica rinoplástica. A partir daí, já na idade média, a Cirurgia Plástica passa pela sua fase mais obscura. As referências à Cirurgia Plástica foram insignificantes. Apenas algumas queiloplastias (reparação do lábio) e reparações nasais são citadas. A Itália lidera a pesquisa anatômica durante pelo menos dois séculos, inicialmente com a Escola de Salerno (criada por Frederico II da Sicília). O médico formado devia pertencer à igreja e falar latim. Os doentes eram assistidos por monges de modo geral. Os médicos eram, ordinariamente, membros de várias ordens religiosas como Franciscanos, Beneditinos ou Dominicanos. Seu ensino tinha sido dogmático, ele se preocupava mais com a discussão teórica e citações de textos antigos. Qualquer ação manual era considerada desonrosa e significava perda da autoridade. Como homem da igreja não poderia derramar sangue. Recusava-se a qualquer ato cirúrgico, deixando-o para os inferiores: os barbeiros cirurgiões, que eram simples operários, iletrados e leigos.

O médico usava a toga longa e o barbeiro cirurgião a toga curta. Os médicos exigiam a submissão dos então chamados cirurgiões-barbeiros.

Do século XV em diante os europeus falam de uma nova era e há o nascimento de uma nova cirurgia em virtude do desenvolvimento da anatomia e da fisiologia.

Apenas no século XVI os cirurgiões atingiram sua autonomia com Ambroise Paré, que foi o primeiro médico que dedicou todo o seu tempo à cirurgia.
Em 1540, os barbeiros e os cirurgiões de Londres se unem na Companhia dos Barbeiros Cirurgiões, que se transformaria no Royal College of Surgeons em 1800.

No século XIII, o Papa Inocêncio III proibiu que os padres praticassem operações cirúrgicas pela lei da Igreja, que mais tarde eles foram considerados indignos. Com o decreto, os médicos deixaram a prática operatória, que passou para as mãos dos cirurgiões inferiores (barbeiros, carrascos, charlatões, capadores de porcos etc.). Apesar das experiências feitas às escuras, as coisas só mudaram quando o Papa Sisto V autorizou as dissecções anatômicas em 1480. 



Durante o Renascimento, houve avanços na ciência e tecnologia, o que resultou no desenvolvimento de técnicas cirúrgicas mais seguras e mais eficazes. Um texto islâmico do século XV, intitulado "Cirurgia imperial" foi escrito por Serafeddin Sabuncuoglu, e incluiu o material em cirurgia maxilo-facial e cirurgia de pálpebras, bem como um protocolo para o tratamento de ginecomastia, que é a base para o método moderno de redução cirúrgica de mama.

Com a lepra e a sífilis que assolou o sul da Europa e já no renascimento, séculos XV e XVI, a cirurgia plástica retoma seu fôlego com as rinoplastias.

Neste momento estamos em pleno Renascimento, os estudos anatômicos autorizados pela Igreja propiciam o avanço da Medicina.



A invenção da imprensa pouco antes, faz com que o pensamento científico seja divulgado e a ciência acorda de um sono de quase mil anos.

O conhecimento anatômico foi condição vital para o avanço da cirurgia, pois conhecendo o corpo humano adequadamente, o médico teve possibilidade de atuar nele com menor probabilidade de erro. Os estudos anatômicos estiveram presentes em algumas culturas, é bem verdade, como na Índia do II milênio a.C., mas é a partir do Renascimento, no século XVI, que tomaram impulso definitivo, principalmente, com Leonardo da Vinci e Andreas Vesalius, este, com sua obra “De Humani Corporis Fabrica”, publicada em 1543, marco inicial da anatomia moderna. O conhecimento da anatomia reconstrutiva foi aplicado assim para as correções congênitas e estéticas, alcançando assim a atual Cirurgia Plástica.

Em 1442, Branca, de Catânia ou Messina (Sicília), reparava defeitos faciais, principalmente o nariz, através de um antigo método índio. Branca aprendeu a arte de restaurar narizes, suprindo-os com material retirado do braço do paciente (retalhos braquiais) ou colocando sobre a região o nariz de um escravo (relato descrito por Elysius Calentius). Branca filho, chamado Antonio, querendo evitar uma lesão de acréscimo numa região exposta, introduziu o verdadeiro retalho italiano da face ântero-medial de um dos braços para reparar a lesão nasal. Há relatos que nesta mesma época, Mongitore e Baltazar Pavone reproduziram esta operação. Em um trabalho publicado em Veneza em 1947 o professor de anatomia Alexandre Benedictus relata, com riqueza de detalhes, como a técnica cirúrgica era realizada. Em 1460, Heinrich von Pfalspeundt, cirurgião do exército bávaro, fez menção ao método de rinoplastia de Branca. Da Sicília este método passou para a Calábria, através dos Vênetos para o Velho Mundo. Com isso grande celebridades aperfeiçoaram a arte de reconstruir narizes. A Itália era o único país onde se praticava a arte rinoplástica.

Entretanto, a prioridade do método italiano é atribuída a Gasparo Tagliacozzi, professor de anatomia na Universidade de Bolonha é o "primeiro a descrever cientificamente e fisiologicamente esse método" no seu tratado de 298 páginas: "De Curtorum Chirurgia per Insitionem", publicado em Veneza, no ano de 1597 e reimpresso em 1598 em Frankfurt. Descreveu cientificamente a reconstrução de nariz, com suas indicações, contraindicações e perigos e descreveu a técnica com todos os seus tempos, imprimiu às rinoplastias um aspecto estritamente cientifico. Conhecido como retalho italiano, foi um dos mais importantes pioneiros da Cirurgia Plástica reconstrutora de sua época.

Foi atacado por teólogos da igreja romana que diziam que a "prática plástica interferia com a obra de Deus e seu êxito deveria ser intervenção do diabo". Tagliacozzi foi considerado agente do demônio. Mesmo depois de sua morte, o Santo Tribunal da Inquisição mandou queimar a sua obra. A revolta religiosa chegou ao ponto de exigir a exumação de seu corpo das terras sagradas da igreja de San Giovanni Batista e a transladação dos restos mortais para terras profanas. Segundo Garrison, Tagliacozzi, por essa inovação registrada, foi insultado por muitos durante todo o século seguinte (XVII). Assim, esta cirurgia ficou abandonada até o século XVIII. Neste tempo, a Companhia Inglesa das Índias Orientais transmitiu a noticia sobre a reconstrução do nariz realizada em um soldado hindu que servia no exercito inglês. A partir daí, o antigo método hindu (utilizado na Índia) dos retalhos passou a ser utilizado na Europa e América.


        Cirurgia desenvolvida por Tagliacozzi

Mas foi só a partir do século XIX que a especialidade passou a ser reconhecida como importante ramo da cirurgia, época em que apareceram nomes de pesquisadores importantes, tais como Johann Friederich Dieffenbach, em 1814 deu grande impulso à Cirurgia Plástica, uma vez que o método italiano foi ressuscitado na Alemanha, em 1816. Dieffenbach foi o maior restaurador de narizes desde Tagliacozzi. Foi quem propôs confeccionar um retalho de couro cabeludo para rinoplastias a fim de evitar cicatrizes frontais.

- Jonh Peter Mettauer, americano, em 1827, realizou a primeiro palatorrafia.
- Warren Jr, em 1834 realizou a primeira rinoplastia pelo método italiano nos EUA.

Embora o termo Cirurgia Plástica tenha sido pela primeira vez usada em 1838 por Edward Zeis em seu livro “Handbuch der Plastichen Chirurgie”.

Ainda Langenbeck e Billroth, em 1861.

A necessidade sempre existiu. Desde a presença do homem na Terra, ocorreu o trauma, a lesão corporal e a patologia cirúrgica. O uso de armas de fogo aumentava cada vez mais, principalmente com as guerras e o aprimoramento de armas capazes de agredir em maior escala, como as armas de fogo a partir do Renascimento e as fabulosas máquinas de guerra do nosso século e o uso da cirurgia se fazia cada vez mais necessário.



O sucesso foi a condição que fez com que a cirurgia passasse a ser vista como um meio de tratamento e não mais como última alternativa. Foi ele que possibilitou a visão mais natural do procedimento principalmente por parte do paciente e da sociedade.

Antes do Século XIX, toda cirurgia era limitada pela incapacidade de aliviar adequadamente a dor da cirurgia em si e pela alta taxa de mortalidade. A cirurgia dá maior passo da sua história com o uso do éter na primeira forma de anestesia geral, em 16 de outubro de 1846 por Willian T.G. Morton, utilizado publicamente pela primeira vez numa sala de operações no Massachussetts General Hospital, introduzindo a era da anestesia moderna, com mais conforto e segurança para os cirurgiões.
Ignaz Philipp Semmelweis argumentou que a lavagem das mãos diminuiria as infecções hospitalares. Luiz Pasteur provou que as bactérias provocavam infecção e Joseph Lister em 1865, idealizou o conceito da cirurgia antisséptica, diminuindo significativamente o risco de infecção cirúrgica no pós-operatório. Assim, iniciou uma nova era na cirurgia; em 1869 conseguiu reduzir a taxa de mortalidade operatória de 50% para 15%. Aplicou a teoria dos germes de Pasteur para eliminar os microorganismos vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Foi recebido com ceticismo, mas por volta de 1880 já era aceito por todos. As técnicas de antissepsia e assepsia foram, finalmente, aceitas como parte da rotina cirúrgica em meados de 1890. Como consequência, o uso de luvas, máscaras, aventais e gorros cirúrgicos evoluíram naturalmente. A anestesia aumenta a possibilidade e a antissepsia a margem do êxito. Estas conquistas permitiram aos cirurgiões realizar uma ampla variedade de procedimentos cada vez mais complexos, com um rápido desenvolvimento e progresso das técnicas cirúrgicas e avanços tanto na cirurgia reparadora como na estética.

Durante o século XIX destacaram-se alguns “cirurgiões” que contribuíram para o desenvolvimento da cirurgia plástica como especialidade como Von Graefe, Velpeau, Ollier entre outros. Antes desse período, o insucesso, em grande parte das vezes com óbito do paciente, era frequente. Cabe lembrar, todavia, que a Cirurgia Plástica, neste ponto levou vantagem, pois atuando em superfície e em órgãos com boa irrigação e consequentemente boa defesa, oferecia menor risco ao paciente.

Pouco depois, em 1869, Reverdin publica sua tese, em que mostra a possibilidade de se transferir pele de uma região para outra (o chamado “enxerto livre”). Sobre esta questão, é importante relatar o papel da Igreja, que pressionava os serviços de cirurgia para impedir a continuação da prática reparadora, alegando tratar-se de atividade que ia além do limite dos atos humanos por reparar os desígnios de Deus.

A cirurgia estética nasce como tal sob as mãos de um cirurgião alemão, Jacques Joseph, que, em 1896, realiza a primeira intervenção para corrigir as orelhas de abano de uma criança. Em 1898, "um homem com um nariz adunco" se apresentou em seu consultório buscando uma solução para seu problema. Depois de estudar o problema durante um tempo, Joseph aceitou realizar a operação. Nesta ocasião a cicatriz foi realizada no dorso do nariz; o resultado foi satisfatório e a transformação ocorrida no paciente foi assombrosa. Em 1904 Joseph relata 43 casos de rinoplastia (cirurgia do nariz): 30 em homens e 13 em mulheres; descreve esse novo método, realizado mediante incisões internas, e o material cirúrgico, desenhado especialmente para isso. É interessante ressaltar que, paradoxalmente, a maioria dos pacientes, pioneiros na cirurgia estética, são homens.

Lexer realizou, em 1906, a primeira cirurgia para corrigir as rugas do rosto. Moestin, Joseph, Passot, Duformentel, aportaram conhecimentos importantes e são considerados os pais da atual cirurgia estética.

Em 1907, o Dr. Charles Miller escreveu o primeiro texto escrito especificamente para cirurgia plástica, intitulado "A Correção de imperfeições". O texto, enquanto a frente de seu tempo, em alguns aspectos, no entanto, foi criticado e denunciado como "charlatanismo" por muitos cirurgiões gerais.

O século XX foi marcado sem dúvida pela grande explosão do desenvolvimento da Cirurgia Plástica, que se converteu em interesse social e humanista, principalmente pelas duas Grandes Guerras Mundiais.

A I Guerra Mundial era baseada em trincheiras. Os membros e o torso dos soldados ficavam protegidos, enquanto que a cabeça e o pescoço ficavam expostos ao fogo de artilharia. Quando acabada a guerra, os soldados com ferimentos faciais desfigurantes se encontravam com dificuldades para tornar ao convívio em sociedade. O elevado número de ferimentos maxilofaciais constituíram um novo problema social. Além dos milhares de soldados que morreram, milhões foram mutilados ou deformados, requerendo um tratamento cirúrgico especializado. Durante a I Guerra Mundial os conhecimentos evoluem, sistematizam-se e abrem novas perspectivas para o desenvolvimento das técnicas reparadoras e da cirurgia estética, todavia incipiente.

A Primeira Guerra Mundial, que trouxe a Cirurgia Plástica para um novo nível dentro do estabelecimento médico. Com a I Grande Guerra, pacientes mutilados, com lesões em face, membros e outras regiões, forçaram o desenvolvimento, principalmente na Alemanha, França e Inglaterra, da Cirurgia Plástica Reparadora, dedicada a tratar sequelas físicas das lesões de guerra. Constata-se, então a necessidade de formar profissionais dirigidos para as reparações corporais. Assim, a Cirurgia Plástica como especialidade médica nasceu oficialmente dos horrores da I Guerra Mundial e da quantidade de vítimas da guerra que necessitavam de muitas cirurgias na área reconstrutiva.

A primeira geração corresponde à época anterior e meados da Segunda Guerra Mundial, sendo McIndoe e Harold Gillies neo-zelandês, especialista em orelha e garganta, conhecido como o pai da cirurgia plástica moderna, trabalhou com mutilados da guerra, desenvolveu novas técnicas de reconstrução, como o retalho tubular (descrito pelo russo Filatov), além de retalhos cutâneos, e enxertos de osso, cartilagem e pele, em 1920, na Inglaterra, Ivy (cirurgião geral), Lê Cohen (especialista em orelha e garganta), Kazanjian (dentista), Converse (cirurgião plástico), Aufrich e Safian nos Estados Unidos, Caloé e Suzanne Noel, Tessier (cirurgia craniofacial ), na França, os nomes mais importantes dessa época. Suzanne Noel, ardente feminista, praticou a cirurgia estética até 1954.

Durante a guerra, formaram-se colaborações entre cirurgiões de diversas nacionalidades e disciplinas para ajudar a todos estes soldados e civis afetados. Os cirurgiões americanos, ingleses, franceses, alemães, russos e austro-húngaros se converteram em profissionais de diversas especialidades. Médicos militares eram obrigados a tratar muitos ferimentos no rosto e na cabeça extensos causados por armas modernas, tentado retomar o aspecto mais natural possível de uma reconstrução. Estas lesões graves exigiram inovações técnicas e de instrumentais em procedimentos cirúrgicos reconstrutivos. Alguns dos cirurgiões mais qualificados da Europa dedicaram suas práticas para restaurar os soldados de seus países durante e depois da guerra.

No período da guerra realizou-se 11.572 operações principalmente no rosto, face no Queen’s Hospital, Kent, Inglaterra. A Cirurgia Plástica começou a crescer logo depois da I Guerra Mundial, argumentava-se que “se os soldados cujas faces haviam sido despedaçadas por um bombardeio no campo de batalha podiam voltar a ter uma vida normal com novos rostos criados pelo engenho da nova ciência da cirurgia plástica por que aquelas mulheres com sinais da idade não poderiam ter o direito de encontrar novamente o formoso contorno da juventude“.

As duas grandes guerras mundiais serviram de auxílio para os mutilados de guerra e possibilitaram aos cirurgiões que atuavam no front de batalha, adquirir uma vasta experiência em reparações de feridos, que então puderam transmiti-las ao mundo científico. Além dos milhares de soldados que morreram, mais de doze milhões de feridos, entre estes, muitos mutilados faciais ou deformados, gerando uma demanda enorme por procedimentos de reconstrução e reparação estéticos. Cirurgias reparadoras, principalmente de defeitos causados pelas armas de fogo, foram se aperfeiçoando após a primeira guerra mundial e principalmente após a segunda, e na primeira metade do século 20 pouco se fazia para corrigir defeitos estéticos, fazendo-se até mal juízo do Cirurgião que executava cirurgias "apenas" para modificar a aparência. As Cirurgias Plásticas eram realizadas por qualquer Cirurgião, eram poucos os que gostavam dessa prática e ainda não havia o conceito de especialista.

Á medida que a tecnologia da medicina evoluiu, os procedimentos de Cirurgia Plástica foram no mesmo ritmo. Desde então, técnicas reconstrutivas foram criadas e aperfeiçoadas. Com a descoberta dos antibióticos, passou a ser possível a realização de Cirurgias mais longas com segurança e sem o risco de infecções.

A existência de especialistas, a necessidade crescente, a anatomia dominada e o sucesso consolidado somam-se às mudanças socioculturais a partir da década de 20, com a posição mais independente da mulher e a maior exposição corporal, pois enquanto antes, era apreciável a pele alva para não se parecer com um camponês, com a revolução industrial os trabalhadores internam-se nas fábricas passando eles a ter a pele clara, assim, como diferenciação, a cútis bronzeada passou a ser conceito de beleza. A cirurgia estética então avança a passos largos, incorporando-se à sociedade como recurso dos mais utilizados para obtenção de uma das finalidades primaciais da medicina: o bem estar do ser humano.

Nos Estados Unidos, a Cirurgia Plástica se difundiu mais tardiamente, principalmente pelas técnicas trazidas da Europa. Instituições de Ensino e Pesquisa, com recursos e alto grau de organização foram as responsáveis por fazer do país um expoente da especialidade, sendo um dos grandes centros da especialidade no mundo. Durante a década de 60, o conceito de cirurgia plástica cresceu na consciência do público americano à medida que mais médicos realizavam procedimentos de Cirurgia Plástica.

De fato, por estas atitudes, os cirurgiões começaram a realizar plenamente o potencial de influência que a aparência pessoal poderia exercer sobre o grau de sucesso na vida pessoal de cada um. Devido a esse entendimento, a cirurgia estética começou a tomar o seu lugar com um aspecto mais respeitado da cirurgia.

Timmie Jean Lindsey, uma americana mãe de seis filhos, foi a primeira mulher a receber um implante de silicone para aumentar o tamanho dos seios, em 1962.Cinquenta anos depois, a operação realizada no hospital Jefferson Davis, em Houston, no Estado do Texas. Os cirurgiões pioneiros foram Frank Gerow e Thomas Cronin.

Os médicos Giorgio e Arpad Fischer, dois cirurgiões ítalo-americanos que trabalhavam em Roma, inventaram a lipoaspiração, em 1974. Algumas técnicas relativamente modernas de escultura da gordura corporal foram realizadas pela primeira vez pelo cirurgião francês Charles Dujarier. Embora tenha sido um caso trágico (que resultou em gangrena na perna de um modelo francês em um procedimento realizado pelo Dr. Dujarier em 1926), esse foi apenas o início do que chamamos hoje de lipoaspiração. Estas primeiras investidas foram, porém, um verdadeiro fracasso e a prática da Cirurgia Plástica foi praticamente banida.

A lipoaspiração evoluiu no final dos anos 60 por cirurgiões europeus e foi lançada nos Estados Unidos a partir de então. Entretanto, naquela época os métodos utilizados ainda eram irregulares e o procedimento ainda contava com uma alta taxa de mortalidade. O cirurgião europeu Leon Forrester Tcheupdjian foi o pioneiro nos Estados Unidos, usando técnicas de curetagem primitiva que foram amplamente ignoradas, como conseguiram resultados irregulares com morbidade significativa e sangramento importante.

Já no ano de 1974, na Itália, Giorgio Fischer e seu pai, Arpad Fischer, criaram a técnica da lipoaspiração, para a remoção de gorduras em diversas regiões do corpo. No entanto, essa técnica se tornou quase inviável, pois era muito arriscada. O descolamento da pele e a aspiração da gordura eram feitos “a seco”, promovendo grande perda de sangue e fazendo com que os riscos de possíveis complicações fossem altíssimos. Esse processo podia causar ainda deformidades na pele, além de danificar os nervos, prejudicando parte do tecido muscular.

Em 1977, o cirurgião plástico francês Dr. Yves Gerard Illouz procurou criar um método para eliminar a gordura localizada de suas pacientes sem que as cicatrizes ficassem aparentes e, sobretudo, sem a perda de tanto sangue. Para isso, ele confeccionou uma cânula rudimentar e, durante o processo cirúrgico, passou a injetar uma solução salina entre o tecido adiposo e o músculo, aumentando a distância entre eles e diminuindo a perda de sangue e hematomas.

Daqui por diante diferente técnicas para cirurgias diversas no corpo foram criadas em particular e dentre as últimas contribuições, depois da lipoaspiração na década de 1980, temos agora as reconstruções parciais da face feita por cirurgiões franceses e recentemente repetidas pelos chineses.

 
Rio de Janeiro - RJ
Shopping Nova América
Av. Pastor Martin Luter King Jr, 126 - Office Torre 1000 - Sala 120 - Del Castilho
Telefone: (21) 96493-5440 / (21) 3627-1576
Cabo Frio - RJ
Avenida Julia Kubitschek, 16 - Sala 213 - Premier Center - Parque Riviera
Telefone: (22) 2648-1615 / (22) 99772-9001
Rio das Ostras - RJ
Clínica Mais - R. Mayer, 368 - Centro
Telefone: (22) 2648-1615 / (22) 99772-9001
Desenvolvimento Digital Net